Sindicato dos Metalúrgicos de Campinas e Região

Foto: Lula Marques/Agência Brasil.

 

 

A classe trabalhadora brasileira alcançou uma das maiores conquistas de sua história! Na noite desta quarta-feira (14), o Senado Federal aprovou, em dois turnos, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019, que estabelece o fim da escala 6×1, garante dois dias de descanso remunerado por semana e reduz a jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, sem redução dos salários.

A proposta recebeu 75 votos favoráveis e apenas um contrário em cada turno. Como o Senado manteve o texto já aprovado pela Câmara dos Deputados, a PEC não precisará retornar aos deputados e seguirá diretamente para promulgação pelo Congresso Nacional.

A vitória é resultado de décadas de mobilização do movimento sindical e da classe trabalhadora pela redução da jornada, por melhores condições de trabalho e por mais tempo para a família, o descanso, o lazer e a vida fora das empresas.

Entenda o que foi aprovado pelo Senado

  1. Fim da escala 6×1

A proposta estabelece a escala 5×2, com cinco dias de trabalho e dois dias de descanso remunerado por semana, substituindo a jornada de seis dias trabalhados para apenas um de folga.

  1. Redução da jornada para 40 horas semanais

A jornada máxima semanal será reduzida gradualmente, das atuais 44 horas para 40 horas, com manutenção do limite normal de oito horas diárias ao final da transição.

  1. Nenhuma redução salarial

A diminuição da jornada e a ampliação do descanso semanal não poderão provocar redução dos salários dos trabalhadores, inclusive daqueles que já possuem contratos de trabalho em vigor.

  1. Acordos e Convenções Coletivas continuam importantes

A proposta mantém a possibilidade de negociação coletiva para organizar jornadas e condições específicas de trabalho, respeitados os direitos constitucionais e as condições mais favoráveis aos trabalhadores.

 

Quando a nova jornada começa a valer?

A mudança não entra em vigor imediatamente após a votação. Primeiro, a emenda constitucional precisa ser promulgada pelo Congresso Nacional.

Depois disso, começa o período de transição:

  • Após 60 dias da promulgação: entra em vigor a escala 5×2, com dois dias de descanso remunerado, e a jornada máxima cai de 44 para 42 horas semanais.
  • Após mais 12 meses: a jornada máxima será reduzida de 42 para 40 horas semanais, mantendo os dois dias de descanso.
  • Salários preservados: a redução da jornada não poderá ser utilizada para diminuir a remuneração dos trabalhadores.

Portanto, a implantação completa das 40 horas ocorrerá 14 meses após a promulgação, conforme as regras gerais previstas na proposta.

O texto também prevê situações específicas e regimes diferenciados, que deverão observar as disposições constitucionais e legais aplicáveis.

Quais são os próximos passos?

  1. Promulgação da emenda constitucional

Como a proposta já foi aprovada pela Câmara e pelo Senado, sem alterações no texto, resta sua promulgação pelas Mesas do Congresso Nacional. Por se tratar de uma emenda constitucional, não é necessária sanção presidencial.

  1. Início da transição nas empresas

Após a promulgação, começa a contagem dos prazos para adoção da escala 5×2 e redução progressiva da jornada semanal.

  1. Adequação das jornadas e fiscalização dos direitos

As empresas terão de adequar suas escalas às novas regras. Os sindicatos continuarão fundamentais para acompanhar essa implantação, fiscalizar o cumprimento dos direitos e negociar as condições de trabalho.

  1. Preservação das conquistas existentes

Os trabalhadores que já possuem jornadas inferiores aos novos limites não deverão perder condições mais favoráveis conquistadas por meio da organização sindical e dos Acordos Coletivos.

A tecnologia precisa reduzir a jornada, não os direitos

A redução da jornada é uma reivindicação histórica do Sindicato dos Metalúrgicos de Campinas e Região, que sempre defendeu a valorização de quem produz a riqueza.

Nas últimas décadas, as empresas ampliaram sua capacidade produtiva com novas máquinas, automação, robotização e avanços tecnológicos. Esses ganhos precisam beneficiar também os trabalhadores, com melhores salários, redução da jornada e mais qualidade de vida.

Se a tecnologia permite produzir mais em menos tempo, ela precisa permitir também trabalhar menos sem ganhar menos.

A aprovação do fim da escala 6×1 representa um avanço histórico, mas não encerra a luta.

A organização dos trabalhadores e a atuação dos sindicatos continuarão essenciais para assegurar o cumprimento das novas regras, impedir a retirada de direitos e ampliar as conquistas dentro das fábricas.

A jornada menor não caiu do céu. É resultado de décadas de luta, mobilização e organização da classe trabalhadora!

O Sindicato segue na luta por menos jornada, mais direitos e melhores condições de vida!

 

Fontes: Senado Federal — aprovação da PEC 221/2019 em 14 de outubro de 2026; Agência Senado; Agência Brasil — regras de transição e próximos passos da proposta.

 

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