Foram 17 dias úteis de braços cruzados, assembleias e resistência. Diante de uma empresa que historicamente dificulta as negociações com o Sindicato, os trabalhadores na ANX, em Paulínia, mostraram que a organização coletiva é capaz de enfrentar a intransigência patronal e conquistar avanços.
A mobilização levou a empresa a uma audiência de conciliação realizada na segunda-feira (6), no Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região (TRT-15), em Campinas. O resultado foi fruto direto da firmeza dos trabalhadores, junto ao Sindicato, que permaneceram unidos mesmo diante das pressões e das tentativas da empresa de enfraquecer a greve.
Negociação da PLR é vitória da greve
Entre as principais conquistas da greve está o compromisso de negociar a Participação nos Lucros e Resultados (PLR), reivindicação de 20 anos dos trabalhadores.
A empresa resistia em discutir o direito, mas teve de recuar diante da força da paralisação e estabelecer o início das negociações com o Sindicato.
Avanços conquistados na luta
Além da negociação da PLR, o que não ocorria há 20 anos, os trabalhadores conquistaram:
- Abertura de negociação da PLR;
- Aumento de 12% no Vale-Alimentação;
- Abono parcial dos dias de greve;
- Estabilidade de 60 dias no emprego.
Quando a produção para, o patrão escuta
Nada foi concedido espontaneamente pela empresa. Cada avanço foi arrancado com organização, coragem e disposição para enfrentar uma greve longa.
Durante 17 dias úteis, os trabalhadores sustentaram a mobilização e demonstraram que não aceitariam continuar produzindo sem valorização e sem uma negociação séria de suas reivindicações.
A luta na ANX deixa uma mensagem para toda a categoria: trabalhador isolado fica sujeito às decisões do patrão. Quando os trabalhadores se organizam com o Sindicato, param a produção e lutam coletivamente, a empresa é obrigada a negociar.
A intransigência patronal encontrou uma barreira: a unidade dos trabalhadores.