O Sindicato dos Metalúrgicos de Campinas e Região participou, nesta segunda-feira (6), no Largo da Catedral, do lançamento municipal da campanha Tarcísio Inimigo das Mulheres.
Organizada pela Marcha Mundial das Mulheres em conjunto com movimentos feministas, populares e sindicais, a campanha denuncia as decisões do Governo do Estado que atingem diretamente a vida das mulheres, como cortes e baixa execução de recursos destinados ao combate à violência, além da precarização da saúde, da educação e de outros serviços públicos.
Segundo a articulação estadual, mesmo diante do avanço dos feminicídios, o governo reduziu recursos da Secretaria de Políticas para a Mulher e deixou de executar grande parte das verbas previstas para ações de enfrentamento à violência em 2025.
Os números expõem o abandono
Mesmo com um orçamento estadual de R$ 382,3 bilhões previsto para 2026, as políticas de proteção às mulheres seguem relegadas.
De acordo com a articulação da campanha a cada uma das 23,2 milhões de mulheres no Estado de São Paulo, o governo dedicou R$ 0,18 por ano.
- 51% da população do Estado são mulheres
- 54,6% de corte nas verbas da Secretaria das Mulheres;
- Dos R$ 38,2 milhões previstos para o combate à violência em 2025, apenas R$ 10 milhões foram executados;
- Isso significa que R$ 28,2 milhões — quase 74% do recurso — ficaram sem utilização;
- 266 feminicídios foram registrados em 2025, o equivalente a uma mulher assassinada a cada 33 horas;
- São apenas 142 Delegacias de Defesa da Mulher para atender os 645 municípios paulistas;
- O estado conta com somente 46 casas-abrigo cofinanciadas e 20 unidades da Casa da Mulher Paulista.
Não falta dinheiro. Falta prioridade para proteger a vida das mulheres.
Violência contra a mulher também é questão de classe
Para as trabalhadoras, o enfraquecimento da rede pública significa mais dificuldade para denunciar agressões, conseguir proteção, acessar atendimento psicológico, garantir moradia segura e reconstruir a própria vida.
A violência doméstica não fica do lado de fora da fábrica. Ela provoca medo, adoecimento, faltas ao trabalho e pode colocar em risco a vida da trabalhadora. Por isso, empresas, governos e entidades sindicais não podem tratar o problema como uma questão particular.
O Sindicato apoia a campanha e reafirma que defender as mulheres é defender toda a classe trabalhadora. É preciso garantir orçamento, delegacias com atendimento permanente, casas-abrigo, creches, saúde pública, autonomia econômica e políticas concretas de prevenção.
Nenhuma mulher deve enfrentar a violência sozinha. Organização e luta coletiva salvam vidas.