Sindicato dos Metalúrgicos de Campinas e Região

No dia 1º de julho de 2026, o Senado realizou uma Sessão de Debates Temáticos sobre a PEC 221/2019, com representantes do governo, das centrais sindicais, do empresariado, de movimentos sociais e do Congresso. A sessão durou mais de nove horas e foi convocada para discutir os impactos sociais, econômicos e produtivos da redução da jornada e do fim da escala 6x1.

A proposta aprovada pela Câmara em 27 de maio de 2026 põe fim à escala 6X1 e reduz a jornada máxima de 44 para 40 horas, sem redução salarial, e assegura dois dias de descanso semanal. A transição prevê a adoção da escala 5x2 e de 42 horas após 60 dias, chegando às 40 horas depois de mais 12 meses.

Para que seja aprovada no Senado e siga para promulgação, a PEC precisa ser aprovada com votos favoráveis de pelo menos 49 dos 81 senadores.

Setores empresariais e parte dos senadores de oposição, principalmente do PL, Republicanos e União, resistem ao texto e à tramitação, tanto que até agora o texto não foi colocado em votação pelo presidente do Senado, David Alcolumbre (União-AP).

Mapa do debate
O debate não é apenas sobre diminuir quatro horas semanais. Existem dois projetos diferentes de relações de trabalho em disputa.

O ponto mais perigoso para a organização sindical não é apenas a quantidade de horas. É a tentativa de substituir a força coletiva da categoria pela negociação individual entre patrão e empregado.
Confira abaixo quem apoia, quem rejeita e quem tenta mudar a PEC do fim da 6x1.

Centrais sindicais, governo e instituições FAVORÁVEIS

 

Nome e representação

 

Posição

 

Principais argumentos

Sérgio Nobre (CUT)

Favorável à PEC

Defendeu que os ganhos de tecnologia e produtividade sejam repartidos com quem trabalha. Citou os metalúrgicos do ABC, que passaram a produzir mais com metade do número de trabalhadores. Para ele, a Constituição deve garantir o direito e a negociação coletiva deve adaptar as escalas.

Antonio Fernandes dos Santos Neto (CSB)

Favorável à PEC e contrário à PEC 12

Classificou a redução como medida de saúde pública e desenvolvimento. Rejeitou a negociação individual por considerar que empregado e empregador não possuem o mesmo poder. Defendeu sindicato forte, acordo coletivo e regra constitucional.

Miguel Torres (Força Sindical)

Favorável à PEC

Defendeu 40 horas, cinco dias de trabalho e negociação coletiva para adaptar as escalas. Criticou entidades empresariais que defendem negociação no discurso, mas dificultam acordos na prática.

Ricardo Patah (UGT)

Favorável à PEC

Destacou a situação das mulheres no comércio, os baixos salários, a dificuldade de preencher vagas e a sobrecarga das trabalhadoras. Defendeu tempo para família, qualificação e descanso.

Ubiraci Dantas (Fitmetal)

Favorável à PEC

Defendeu a mobilização para “enterrar a 6x1” e garantir mais tempo para estudo, desenvolvimento e convivência. Contestou quem minimiza a importância de dois dias de descanso.

Luiz Marinho
(Ministro do Trabalho e Emprego)

Favorável à PEC

Apresentou experiências de empresas que aumentaram produtividade, reduziram faltas e preencheram vagas após migrarem para 5x2. Defendeu negociação coletiva e combate à pejotização fraudulenta.

Guilherme Boulos (Ministro da Secretaria-Geral)

Favorável à PEC

Sustentou que o debate é humano, não apenas econômico. Destacou trabalhadores que não conseguem conviver com a família e pediu que o Senado vote a proposta o quanto antes.

Paulo Henrique Pereira (Ministro do Empreendedorismo)

Favorável

Argumentou que a maioria dos microempreendedores consultados considera a mudança positiva e questionou por que a redução nunca avançou antes, se parte do empresariado afirma concordar com o objetivo.

Alessandro Miranda (Ministério Público do Trabalho/ANPT)

Favorável com transição e negociação coletiva

Defendeu redução sem corte salarial, proteção à saúde e equilíbrio entre trabalho e vida. Recomendou transição gradual e negociação coletiva forte para atender às particularidades setoriais.

 

Empresariado CONTRÁRIO ou que EXIGE MUDANÇAS

 

Nome e representação

Posição

O que defendeu e quais argumentos apresentou

Paulo Skaf (Fiesp)

Contrário ao texto e favorável à PEC 12

Defendeu acordos individuais ou coletivos e maior liberdade para definir jornadas. Disse que colocar escala na Constituição engessa a economia e alegou impacto próximo de 20% nos custos.

Ricardo Alban (CNI)

Favorável ao objetivo, mas contrário ao formato e ao prazo

Disse que a indústria não rejeita a discussão, mas considera impossível absorver os custos em 60 dias. Pediu mais estudos, mais tempo e análise de competitividade antes da aprovação.

Ivo Dall’Acqua (Fecomercio-SP/CNC)

Contrário à imposição constitucional

Defendeu que a redução ocorra depois de ganhos de produtividade e por negociação coletiva. Alegou impacto superior a R$ 158 bilhões por ano sobre a folha de pagamento.

Vander Costa (CNT)

Contrário ao prazo e ao modelo geral

Estimou aumento anual de R$ 11 bilhões no transporte, com reflexos em fretes e passagens. Pediu tratamento especial para setores essenciais e transição mais longa.

José Pastore (Conselho de Emprego da Fecomércio-SP)

Contrário ao texto como aprovado

Argumentou que dois descansos remunerados provocariam elevação de 9,1% no custo salarial. Disse que isso poderia resultar em inflação, desemprego, informalidade ou maior rotatividade.

Otavio Torres
Calvet (TRT-RJ)

Defendeu alterações jurídicas

Alertou que a PEC pode aumentar custos de descanso remunerado, horas extras e comissões. Também questionou a anulação antecipada de cláusulas de acordos coletivos vigentes.

João Carlos Galassi (Associação Brasileira de Supermercados)

Aceita 40 horas, mas quer transição de cinco anos

Defendeu retirar do texto regras detalhadas de escala. Sugeriu que a PEC apenas reduza de 44 para 40 horas e dê cinco anos para adaptação, com contratação mais flexível.

Paulo Solmucci (Abrasel)

Contrário à aplicação rápida

Alegou que bares e restaurantes possuem margens pequenas, baixa produtividade e funcionamento concentrado em fins de semana. Disse que os custos poderão ser repassados aos preços ou provocar fechamento de negócios.

 

 

 

Foto da Capa: Edilson Rodrigues/Agência Senado

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