Sindicato dos Metalúrgicos de Campinas e Região

A Mensagem ao Povo Brasileiro, divulgada pela CNBB no dia 24, durante a 62ª Assembleia Geral dos Bispos do Brasil, reforça o alerta contra a precarização do trabalho, a desigualdade, o racismo, a violência contra as mulheres e a pobreza. Traz um chamado importante para todo o país de que não existe democracia forte quando a vida do povo é empurrada para a insegurança, para a fome, para a violência e para a retirada de direitos.

Para a classe trabalhadora, enfatiza que 2026, ano de eleições, exige consciência, diálogo e compromisso com quem defende os mais vulneráveis.

Pejotização

Para os trabalhadores e trabalhadoras, um dos pontos centrais da mensagem é o alerta contra a substituição de contratos regidos pela CLT por vínculos precários de prestação de serviço, prática conhecida como pejotização.

A CNBB cita a discussão no Supremo Tribunal Federal e chama atenção para o risco do enfraquecimento da proteção social do trabalho.

Na prática, a pejotização significa trabalhadores sem férias, sem 13º, sem FGTS, sem jornada definida, sem segurança diante do adoecimento e sem proteção em caso de demissão.

Quem produz a riqueza do país precisa de salário, direitos, proteção previdenciária, negociação coletiva e respeito.

Fim da escala 6x1

A mensagem também reafirma a importância do direito ao repouso e de escalas que permitam melhor qualidade de vida e mais tempo com a família.  Esse ponto dialoga diretamente com uma das principais reivindicações da classe trabalhadora: o fim da escala 6x1.

Não é aceitável que milhões de trabalhadores vivam apenas para trabalhar. A luta pela redução da jornada, por mais tempo de descanso e por dois dias de folga remunerada sem redução salarial é uma luta pela saúde, pela convivência familiar, pelo lazer, pelo estudo e pela vida fora do relógio da empresa.

Descanso não é privilégio, mas condição mínima para não adoecer.

Quem defende a manutenção da escala 6x1 defende, na prática, um modelo que esgota o corpo, destrói vínculos familiares e transforma o trabalhador em peça de reposição.

Racismo, mulheres e pobreza

A CNBB denuncia a persistência do racismo no Brasil e lembra que o país ainda carrega uma dívida histórica que exige reparação.

O documento também alerta para as violências contra as mulheres, que vão da agressão física e psicológica ao assédio, à perseguição digital, à desigualdade salarial e ao feminicídio, com impacto ainda mais grave sobre mulheres pobres, negras, periféricas, indígenas e rurais.

Para o movimento sindical, essa denúncia precisa entrar no chão da fábrica. Racismo não é “opinião”. Assédio não é “brincadeira”. Desigualdade salarial não é “detalhe”. Violência contra a mulher não é problema privado: é questão social, trabalhista e política.

Defender direitos das mulheres, combater o racismo e enfrentar a pobreza não divide a classe trabalhadora. Ao contrário: fortalece a luta coletiva. Uma categoria só é forte quando não aceita que parte dela seja humilhada, silenciada, explorada ou empurrada para a margem.

Eleições 2026: o voto tem consequência

Em 2026, o Brasil terá eleições gerais, com votação para presidente, governadores, senadores, deputados federais e deputados estaduais.

Por isso, a classe trabalhadora precisa olhar para as eleições com seriedade. Não basta escolher por simpatia, medo, boato, religião usada como palanque ou promessa vazia. É preciso perguntar: essa candidatura defende a CLT ou a precarização? Defende o fim da escala 6x1 ou protege jornadas desumanas? Combate o racismo ou se cala diante dele? Defende as mulheres ou relativiza a violência? Está ao lado dos pobres ou só aparece em época de voto?

Voto consciente não é voto comprado, manipulado ou decidido por corrente de WhatsApp. É voto com memória, comparação, pesquisa e compromisso com a vida real do povo trabalhador.

Contra fake news, ódio e manipulação

A CNBB também chama atenção para a necessidade de proteger a verdade dos fatos, a integridade do debate público e a legitimidade do processo eleitoral diante da desinformação organizada, da manipulação do medo, do discurso de ódio e do uso abusivo de novas tecnologias.

Isso precisa ser levado a sério. Fake news não é apenas mentira solta na internet. É ferramenta de manipulação política. Serve para dividir trabalhadores, atacar direitos, espalhar medo, destruir reputações e impedir o debate honesto sobre os problemas do país.

O caminho é diálogo, escuta, checagem e organização.

Antes de compartilhar, verifique. Antes de acreditar, questione. Antes de transformar indignação em ódio, procure informação.

Democracia não se constrói com grito, ameaça e mentira. Se constrói com participação, consciência e compromisso coletivo.

Compromisso com quem mais precisa

A mensagem da CNBB recoloca no centro do debate as perguntas: de que lado estão as nossas escolhas? Do lado da vida, da dignidade e dos vulneráveis? Ou do lado da exploração, da violência, do lucro sem limite e da indiferença?

Para os trabalhadores e trabalhadoras, essa reflexão é fundamental.

Defender a vida dos mais vulneráveis é combater a pejotização. É lutar pelo fim da escala 6x1. É enfrentar o racismo. É defender as mulheres. É proteger os mais pobres. É rejeitar fake news e discurso de ódio. É votar com consciência em quem assume compromisso real com direitos, democracia e justiça social.

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