Trinta anos após o Massacre de Eldorado dos Carajás, a ferida continua aberta.
Segundo a Comissão Pastoral da Terra, a impunidade mantém a violência no campo. Em 2024, os conflitos ultrapassaram a marca de 2 mil casos. Exemplos disso foram os massacres no mesmo ano em Pau D’Arco (PA) e Colniza (MT), que vitimaram outros 19 trabalhadores sem-terra.
Violência e impunidade no campo
Em 1996, 21 trabalhadores rurais foram assassinados pela Polícia Militar, no Pará. Passadas três décadas, a punição foi mínima, a reparação às famílias segue insuficiente e, no estado, mais de 90% dos assassinatos no campo continuam impunes.
Ou seja, o massacre segue vivo na concentração fundiária, na violência no campo e na demora do Estado em enfrentar o latifúndio. Um retrato brutal da estrutura fundiária brasileira, que protege grandes propriedades, castiga quem trabalha na terra e transforma o direito à vida em privilégio de poucos.
Sob pressão
Nesse período, os trabalhadores e trabalhadoras do campo seguem convivendo e lutando contra avanço da soja, da mineração, da grilagem, da especulação e da violência sobre territórios camponeses, áreas tradicionais e regiões de preservação.
A promessa de regularização fundiária não resolveu o essencial. A terra continuou concentrada, a função social da propriedade seguiu desrespeitada e a reforma agrária, direito constitucional, ficou travada diante dos interesses do agronegócio.
O grande capital trata a terra como mercadoria e resultado é que quem produz alimento enfrenta abandono, ameaça e expulsão da terra.
Jornada de Lutas
Em memória da data, o MST realiza, entre 13 e 17 de abril, a Jornada Nacional de Luta pela Reforma Agrária Popular, com o lema “Em defesa da Reforma Agrária Popular: basta de violência contra os povos e a natureza”, com marchas, ocupações, denúncias, atividades de formação e atos políticos em vários estados.
No Pará, a mobilização reúne o Acampamento Pedagógico da Juventude Sem Terra na Curva do S, a reconstrução do monumento em memória dos 21 lutadores assassinados e uma grande marcha até o local do massacre, retomando o caminho interrompido pelas balas da polícia em 1996.
Lembrar Eldorado dos Carajás não basta. É preciso enfrentar o latifúndio, democratizar a terra e fazer da reforma agrária uma pauta viva da classe trabalhadora.
Foto: Marcelo Cruz/ página: mst.org.br