Notícias - Destaques

Bekaert abusa do Estado para impedir a organização dos trabalhadores

Sindicato foi impedido pela empresa e pela polícia de se manifestar junto aos trabalhadores contra as demissões e em defesa dos direitos

Na segunda-feira (4), o Sindicato realizaria assembleias na porta da Belgo-Mineira Bekaert, em Sumaré, para discutir com os trabalhadores a demissão em massa ocorrida no sábado (2) e a “nova” e prejudicial política de cargos e salários imposta pela empresa.

Porém, antes que o carro de som do Sindicato fosse estacionado, foi “recepcionado” por duas motos da ROCAM. Dentro da empresa havia mais duas viaturas da PM e 6 policiais.

O diretor do Sindicato e o motorista sofreram várias intimidações dos policiais que não se limitaram a pedir documentos pessoais e do veículo, como também investigaram se tinham passagem pela polícia, chegando ao absurdo de procurar tatuagens pelos seus corpos.

A PM, cumprindo um papel de vigilante da empresa, disse ainda que só haveria assembleia no local se a Bekaert permitisse e indicou o local para o Sindicato estacionar o carro de som.

A intimidação que impediu a realização da assembleia com o 2º Turno foi concluída com um corredor polonês feito por chefes da produção e RH que apertavam a mão de um a um dos trabalhadores que desciam dos ônibus fretados rumo à entrada da empresa. Na mesma tarde, houve mais demissão.

À noite o terror continuou

A assembleia com os trabalhadores do 3º Turno (noturno) foi realizada, mas novamente com a presença ostensiva da Polícia Militar, da Guarda Municipal e da Polícia Rodoviária Federal, além de 2 carros que vigiaram toda a assembleia.

Violência psicológica nos ônibus fretados

O Sindicato vem recebendo denúncias de que policiais militares à paisana estão indo nas portas dos ônibus fretados para coagir os trabalhadores a não descerem ou permanecerem do lado de fora da empresa, mas que é para todos entrarem direto na fábrica.

 

Pauta da assembleia

Nos últimos anos, pelo menos 190 trabalhadores, principalmente os mais antigos na fábrica, foram substituídos por outros contratados com salários rebaixados pela metade.

E, recentemente, com a troca de RH, a política de cargos e salários sofrerá alterações que vão prejudicar ainda mais os trabalhadores: só se chegará ao teto, que será fixado entre R$ 7 e R$ 8,40/hora, menos da metade do que é hoje, com avaliação de chefia. Sem contar os churrascos que a empresa deu com uma mão e tirou com outra, porque na hora da refeição da semana seguinte não tinha mistura.

Não bastasse, depois de anunciar que não haveria mais demissões, no sábado a empresa fez uma demissão em massa. Dos cerca de 400 trabalhadores na fábrica, a empresa demitiu 43.

A truculência do Grupo ArcelorMittal, detentor da Bekaert e da Aperam, já é conhecida e não fará o Sindicato recuar. Além de denunciar a prática antissindical à Justiça do Trabalho, vamos continuar com assembleias e mobilizações sempre que os trabalhadores tiverem a necessidade de ser ouvidos e ter seus direitos respeitados.

Governo Bolsonaro quer acabar com os direitos dos trabalhadores

Intimidações e pressão policial como a que ocorreu na Bekaert serão muito mais frequentes daqui para frente.

Faz parte da política do governo Bolsonaro criminalizar todos os que lutam em defesa dos seus direitos, como os movimentos sociais e os sindicatos, principalmente os de luta. Ou seja, a situação que já era difícil, tende a piorar.

Portanto, é preciso resistir e não se amedrontar com a pressão e a tensão que já estão no ar, mas sempre lembrando que esse enfrentamento só será possível se permanecermos organizados coletivamente.

Não fique só! Fique sócio do Sindicato!

Jornal da Categoria